Pensão Alimentícia

Direitos, Deveres e Principais Dúvidas

A pensão alimentícia é um dos temas mais discutidos no Direito de Família e também um dos que mais gera dúvidas, conflitos e processos judiciais.
Mais do que uma obrigação legal, trata-se de um instrumento de proteção à dignidade e ao sustento de quem não pode prover o próprio sustento, especialmente crianças e adolescentes.

Neste artigo, você vai entender:

  • O que é pensão alimentícia;
  • Quem pode pedir e quem deve pagar;
  • Como o valor é calculado;
  • Situações de revisão, exoneração e execução;
  • Os principais mitos e verdades sobre o tema.

A pensão alimentícia é o valor fixado judicial ou extrajudicialmente para garantir o sustento de quem não consegue prover sua própria subsistência.
O conceito está no art. 1.694 do Código Civil, que assegura o direito de pedir alimentos a parentes, cônjuges ou companheiros.

Importante: “alimentos” não se limitam à comida, mas abrangem:

  • moradia,
  • vestuário
  • saúde
  • educação
  • lazer
  • transporte
  • outras despesas…

Quem Tem Direito à Pensão Alimentícia?

O pedido pode ser feito por:

  • Filhos menores de idade, em regra representados pelo genitor que detém a guarda.
  • Filhos maiores, quando ainda estudam ou não possuem condições de sustento.
  • Ex-cônjuges ou ex-companheiros, em casos específicos, quando comprovada a necessidade temporária.
  • Idosos, em relação aos filhos, conforme o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003, art. 12).

Quem Deve Pagar a Pensão Alimentícia?

O dever de pagar recai sobre quem possui condições financeiras e está vinculado por parentesco ou conjugalidade.
No caso de filhos menores, ambos os pais são responsáveis, cada um contribuindo conforme sua capacidade.

O objetivo não é punir, mas sim equilibrar as responsabilidades parentais.

Como é Calculado o Valor da Pensão?

Não existe percentual fixo na lei.
O critério utilizado é o binômio necessidade x possibilidade:

  • Necessidade de quem recebe: despesas essenciais comprovadas.
  • Possibilidade de quem paga: renda líquida, padrão de vida, encargos pessoais.

Em muitos casos, os tribunais fixam percentuais de 20% a 30% dos rendimentos líquidos, mas isso não é regra absoluta, deve seguir a capacidade financeira e as necessidades, inclusive a criança tem o direito de ter o mesmo padrão de vida do pagador de pensão.

Revisão da Pensão Alimentícia

A pensão pode ser revisada judicialmente em caso de:

  • Mudança na renda do alimentante.
  • Alteração das necessidades do alimentado (como gastos com saúde ou escola).
  • Maioridade dos filhos, quando se avalia se ainda há dependência.

A revisão pode aumentar ou reduzir o valor, sempre com base em provas.

Exoneração da Pensão Alimentícia

A exoneração ocorre quando cessa a necessidade:

  • Filhos que concluem os estudos e passam a se sustentar.
  • Ex-cônjuge que se reintegra ao mercado de trabalho.

O pedido deve ser feito por meio de ação judicial, não bastando deixar de pagar.

Execução da Pensão Alimentícia

O não pagamento pode gerar consequências sérias

  • Cobrança judicial, com penhora de bens, bloqueio de contas e rendimentos.
  • Prisão civil, prevista no art. 528 do CPC, em caso de inadimplemento voluntário e inescusável.

A prisão não extingue a dívida, mas funciona como medida de coerção.

Mitos e Verdades sobre Pensão Alimentícia

“A pensão é só para comida.”

Mito. Abrange todas as despesas básicas da vida.

“Quem paga a pensão não precisa arcar com outros custos.”

Mito. Custos extras (como saúde) podem ser divididos.

“A pensão pode ser pedida mesmo durante a gravidez.”

Verdade. Os chamados “alimentos gravídicos” estão previstos na Lei 11.804/2008.

“A pensão pode ser paga em dinheiro ou diretamente em despesas ( IN NATURA).”

Verdade. O formato pode variar conforme a decisão judicial ou acordo.

Impacto da Pensão Alimentícia na Vida Familiar

Mais do que um número, a pensão alimentícia representa a responsabilidade parental e a proteção do interesse do menor.

O seu correto cumprimento evita desgastes emocionais, processos longos e, principalmente, assegura uma vida digna a quem dela depende.

A pensão alimentícia é um tema de grande relevância social e jurídica.
Entender seus fundamentos legais, os critérios para fixação e as possibilidades de revisão ou exoneração ajuda a reduzir conflitos e a garantir o respeito aos direitos de quem mais precisa.

A Justiça brasileira, ao decidir, busca sempre o equilíbrio entre as necessidades do alimentado e as possibilidades do alimentante, com foco na proteção da criança e do adolescente.

Advogada

Dra. Carla Rodrigues

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